O estranho planejamento do Vasco
Em face da disputa dos torneios nos quais o Vasco está envolvido, a diretoria e a comissão técnica do clube parecem adotar um planejamento que divide opiniões entre seus torcedores: seria correto o clube menosprezar a disputa da Copa Sul-Americana? Todos, ou ao menos a maioria dos torcedores, consideram importantíssimo priorizar o Brasileirão e, em seguida, a Copa do Brasil. Mas e a Sul-Americana? Bem, eu não a colocaria de lado. E explico: em minha modesta opinião, considero que, no pior dos cenários, não se deve desprezá-la, pois é uma competição viável de conquista e que, caso confirmada, geraria receita e fortalecimento da marca “Vasco” no meio futebolístico, além de trazer um sopro de alegria à sua imensa torcida.
Estamos há 10 dias do início do recesso para a Copa do Mundo de 2026. Neste intervalo, o Vasco jogará quatro vezes, sendo duas partidas pela Sul-Americana, contra Olímpia e Barracas Central, e duas pelo Brasileirão, diante de Red Bull Bragantino e Atlético Mineiro. Depois disso, serão mais de 50 dias de pausa nos campeonatos.
Liderando o Grupo G da Sul-Americana com 7 pontos, ao lado do próprio Olímpia, contra o qual fará confronto direto logo mais, às 19h, e tendo em vista a total possibilidade de classificação à próxima fase da competição, não considerei prudente a decisão da comissão técnica do Vasco. Ao optar por levar um time misto, recheado de garotos e reservas, o clube demonstra desvalorizar a importância do campeonato. Com todo o respeito às escolhas, serão esses atletas os responsáveis por confirmar a classificação às oitavas de final na partida de logo mais, diante do Olímpia, ou ainda escapar do risco de disputar um playoff ou, na pior das hipóteses, evitar a eliminação da competição. Vale lembrar que apenas o primeiro colocado de cada grupo avança de maneira direta. O segundo vai para o playoff, enquanto o terceiro e o quarto colocados são eliminados.
A comissão técnica escolheu relacionar um elenco recheado de garotos do Sub-20 e reservas de qualidade duvidosa às vésperas da parada para a Copa do Mundo. Sabe-se que o elenco é curto, isso é público e notório, mas os atletas são extremamente bem pagos para jogarem. Não há, portanto, nenhuma necessidade de poupar jogadores neste momento. Em caso de lesões, o departamento médico terá mais de 50 dias para recuperá-los. Pode ser uma opinião impopular, mas penso assim: eu não pouparia e iria com os principais jogadores para buscar a classificação diante do Olímpia.
E, para piorar, parece que Renato Gaúcho vai improvisar João Victor, o “Mutano”, ou Tchê Tchê na lateral direita. Se Tchê Tchê já não performa bem em sua posição de origem, imaginem improvisado. Tem tudo para dar errado.
E assim, diretoria e comissão técnica vão abrindo mão de um campeonato no qual o Vasco possui chances reais de ser campeão.
Isso não faz nenhum sentido para mim. Todas essas atitudes levam à conclusão de que este é um planejamento estranho, que despreza a possibilidade concreta da conquista de um título.
Faz sentido para vocês?
Marcos Simão | Vasco Imortal
