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Vasco resiste por 45 minutos, mas desaba após o intervalo e deixa alerta ainda maior no Brasileirão

O placar de 4 a 1 para o Palmeiras, ontem, domingo, no Nubank Parque, pode dar a impressão de que o Vasco foi amplamente dominado durante os 90 minutos. Não foi o que aconteceu. O problema é justamente o que torna a derrota mais preocupante: o time de Pedro Emanuel conseguiu competir de igual para igual no primeiro tempo, mas não teve capacidade para sustentar o nível quando o adversário acelerou.

A primeira etapa terminou sem gols e teve o Vasco chegando a criar situações capazes de mudar a história do confronto. Carlos Miguel apareceu bem para impedir que os visitantes saíssem na frente. A estatística final mostra, inclusive, um jogo mais equilibrado do que o placar sugere: Palmeiras e Vasco terminaram com 13 e 12 finalizações, respectivamente, e quatro e cinco chutes no alvo.

A diferença esteve na eficiência e, principalmente, na capacidade de reação.

O Palmeiras voltou do intervalo em outra rotação. Flaco López abriu o placar, Vitor Roque ampliou de pênalti e Maurício fez o terceiro. Após dez minutos de jogo no segundo tempo, o jogo que estava aberto se transformou em goleada. Flaco López ainda marcou novamente, antes que Colidio, nos acréscimos, descontasse para o Vasco.

É nesse intervalo entre os dois tempos que está a principal questão para o técnico do Vasco, Pedro Emanuel.

O problema não é apenas criar. É criar, aproveitar e sobreviver.

Depois da partida, o treinador voltou a mencionar o desperdício de oportunidades. Segundo Pedro Emanuel, a diferença em relação ao jogo contra o Olimpia foi justamente a eficiência: diante dos paraguaios, o Vasco conseguiu aproveitar as oportunidades que criou; contra o Palmeiras, não.

A explicação faz sentido, mas é insuficiente para explicar uma derrota por 4 a 1.

O Vasco não perdeu apenas porque deixou de marcar. Perdeu porque, depois de sofrer o primeiro gol, perdeu organização, controle emocional e capacidade de proteger sua própria área.

E esse talvez seja o aspecto mais preocupante.

Individualmente, alguns sinais são ruins

Léo Jardim teve uma tarde abaixo do padrão. O goleiro não teve responsabilidade nos dois primeiros gols, mas falhou no chute de Maurício e ainda ficou mal posicionado no quarto gol, segundo a avaliação do ge.

Carlos Cuesta também viveu uma tarde difícil. Além da participação no lance do pênalti, o zagueiro sofreu com a velocidade e a movimentação do ataque palmeirense na segunda etapa.

Tchê Tchê, outro dos mais criticados nas avaliações, não conseguiu oferecer ao meio-campo a capacidade de controle necessária justamente quando o Palmeiras passou a dominar a partida.

Por outro lado, Paulo Henrique teve um primeiro tempo positivo, combinando bem com Adson pela direita e criando dificuldades para a defesa adversária.

E há uma notícia que merece ser registrada: Facundo Colidio marcou seu primeiro gol pelo Vasco. Entrando no segundo tempo, o argentino apareceu nos acréscimos para diminuir o prejuízo. O gol pouco alterou o resultado, mas é um sinal individual importante para um atacante que chegou ao clube justamente com a missão de aumentar a capacidade ofensiva da equipe.

Cabe destacar também as boas entradas dos #CriasDaColina, Ramon Rique e, principalmente, Avellar, que teve boa atuação e inclusive fez a ótima jogada que terminou no gol de Facundo Colidio.

Pedro Emanuel: a responsabilidade aumenta

O treinador merece crédito pelo primeiro tempo competitivo, mas a segunda etapa coloca sua atuação sob questionamento.

Abel Ferreira percebeu o que precisava ser modificado e conseguiu fazer o Palmeiras voltar muito mais agressivo. O próprio técnico palmeirense revelou que desafiou os jogadores no intervalo a entregarem mais, e a resposta veio imediatamente.

Pedro Emanuel, por sua vez, não encontrou resposta para a avalanche palmeirense.

Mais do que as substituições, a questão é como a equipe reage quando o plano inicial deixa de funcionar. O Vasco ainda não demonstra maturidade suficiente para administrar momentos adversos. Sofre o primeiro golpe e, em vez de reorganizar-se, parece perder as referências.

Isso é particularmente perigoso para uma equipe que luta contra o rebaixamento.

A tabela já não permite romantizar boas atuações

O Vasco permanece na vice-lanterna, com 22 pontos, enquanto o Palmeiras chegou aos 51 e abriu seis pontos de vantagem na liderança.

A derrota também significa o oitavo jogo consecutivo sem vitória no Brasileirão, segundo o ge.

E aqui está o ponto central desta resenha: o Vasco não pode mais se contentar com a sensação de que “jogou bem em alguns momentos”.

Contra o Olimpia, houve domínio sem eficiência. Contra o Santos, uma derrota pesada em casa. Contra o Palmeiras, um primeiro tempo competitivo seguido de uma queda brutal no segundo tempo. São partidas diferentes, mas existe um denominador comum: o Vasco ainda não consegue transformar momentos positivos em consistência competitiva.

A classificação na Sul-Americana trouxe alívio e esperança. A goleada sofrida em São Paulo recoloca o Brasileirão no centro da crise.

O próximo desafio de Pedro Emanuel, portanto, não é apenas melhorar o ataque ou corrigir a defesa. É fazer o Vasco permanecer mentalmente dentro do jogo quando a partida muda de roteiro.

Porque, na luta contra o rebaixamento, 45 minutos bons não bastam. E o Vasco está começando a pagar caro demais por isso.

O Cruzmaltino volta a campo na próxima quarta-feira (26/08), às 21h30, em São Januário, contra o Vitória, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil.