Vasco domina, mas deixa São Januário sem vantagem diante do Olimpia
O Vasco mostrou volume, iniciativa e superioridade territorial, mas terminou a noite de quinta-feira com uma sensação amarga. No empate por 0 a 0 com o Olimpia, em São Januário, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, o time de Pedro Emanuel finalizou 20 vezes, criou as principais oportunidades e encontrou no goleiro Gastón Olveira e na própria falta de precisão de seus jogadores os principais obstáculos para sair em vantagem.
O ponto mais positivo foi a postura coletiva. O Vasco não se intimidou diante de um adversário experiente em jogos eliminatórios e conseguiu manter o Olimpia recuado durante boa parte da partida. A defesa também teve atuação segura, com Léo Jardim protegido por uma dupla de zaga consistente. O empate em 0 a 0, portanto, não pode ser interpretado simplesmente como uma atuação ruim: houve controle e produção ofensiva, mas faltou eficiência.
Entre os jogadores, Léo Jardim, Saldivia e Robert Renan saem fortalecidos pelo desempenho defensivo. No meio-campo, Cauan Barros e Thiago Mendes deram sustentação à equipe, enquanto Adson e Nuno Moreira participaram das tentativas de construção e desequilíbrio pelos lados.
O problema esteve principalmente no ataque. David, Johan Rojas e Claudio Spinelli aparecem entre os principais pontos de preocupação nas avaliações do ge. Rojas teve participação e tentou finalizações, mas não conseguiu transformar presença ofensiva em jogadas decisivas. David teve dificuldades para produzir perigo consistente. Spinelli, por sua vez, entrou no segundo tempo e desperdiçou uma oportunidade importante na reta final.
A estatística mais incômoda é justamente essa: foram 20 finalizações e nenhum gol. Contra uma equipe que aceitou jogar mais atrás, o Vasco teve dificuldade para encontrar o último passe, atacar os espaços e concluir as jogadas com qualidade.
Pedro Emanuel também merece uma avaliação de dois lados. O treinador acertou ao manter uma equipe agressiva e procurar alternativas quando o jogo começou a se fechar. Sua equipe teve atitude e controle. Por outro lado, o treinador não conseguiu solucionar durante os 90 minutos o principal problema identificado desde o início: transformar domínio territorial em chances realmente claras e, principalmente, gols. O próprio técnico reconheceu a frustração pelo resultado, embora tenha defendido a atuação da equipe.
O resultado deixa o confronto completamente aberto. Sem a vantagem construída em casa, o Vasco terá de decidir a classificação no Paraguai, na próxima quinta-feira, 20/08. Uma nova igualdade levará a disputa para os pênaltis, enquanto qualquer vitória classificará diretamente uma das equipes.
Em síntese: o Vasco saiu de São Januário com uma atuação melhor do que o placar sugere, mas com um problema que não pode ser ignorado. Em mata-mata, volume não basta. A equipe de Pedro Emanuel mostrou organização, competitividade e capacidade de controlar o adversário; agora precisa provar que também consegue ser decisiva.