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O Vasco deverá confirmar a venda da SAF hoje, às 14 horas.

Caso não apareça outro empresário, investidor, atleta ou ex-atleta querendo tumultuar a vida do Gigante da Colina, e, após três anos de idas e vindas, enfim, a família Lamacchia, deve confirmar hoje, a partir das 14h, a compra em definitivo da SAF do Vasco da Gama em audiência determinada pela Justiça do Rio de Janeiro.


Marcos Lamacchia, o futuro dono do Vasco

A Almirante Participações e Empreendimentos S.A., de Marcos Lamacchia, é o único investidor concorrente para apresentar oferta.


A proposta prevê aporte de R$ 500 milhões e o pagamento da dívida do clube, acima de R$ 1 bilhão, por meio da recuperação judicial, além de R$ 15 milhões anuis para o clube social. Especialistas ouvidos pela reportagem garantem que o total de aportes podem superar a casa de R$ 3 bilhões em dois anos. Será a quinta maior venda no cenário mundial. Como comparação, o Santos de Pelé e de Neymar, está sendo negociado por R$ 1 bilhão.

A operação é avalizada pelo pai do investidor, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, que desde 2023 tenta entrar no cruz-maltino. O empresário de 81 anos é marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que observa a situação e mantém diálogo com a direção vascaína, mas não tem participação efetiva no negócio neste primeiro momento.

Após o avanço na aprovação do edital para venda de 90% das ações da SAF — os outros 10% ficariam com o clube associativo —, O GLOBO apurou que Leila foi vista cumprimentando dirigentes do Vasco pelo fim do imbróglio em um evento de futebol. Há todo um cuidado, que passa pela interlocução política com a CBF, para que a dirigente não seja alvo de conflito de interesse pelo fato de seu enteado assumir o cruz-maltino enquanto ela comanda o Palmeiras — o mandato vai até o fim de 2027. Para assegurar que não haja novas exigências que inviabilizam o negócio com Marcos Lamacchia, o Vasco faz o dever de casa nos bastidores.


Leila e seu marido, o bilionário José Lamacchia, dono da Crefisa, avalista e pai de Marcos Lamacchia


Ajustes para aprovação na CBF

Depois da cobrança pública e ilegal do Flamengo, através de seu ridículo presidente Bap, Vasco e Palmeiras foram proibidos de negociar atletas e a Crefisa, de ser garantidora em operações do futebol cruz-maltino, em meio à contratação de empréstimos que já totalizam quase R$ 300 milhões obtidos na Justiça junto à Almirante Participações.

Uma das situações avaliadas caso a CBF imponha novas medidas nas próximas semanas é que Marcos Lamacchia saia do contrato social da empresa até Leila deixar o Palmeiras.

A lei impede que membros da mesma família estejam por trás de clubes diferentes na mesma divisão no Brasil. Leila não é mãe ou tutora de Marcos Lamacchia, e nos bastidores, há quem afirmei que, ela nem é tão próxima do enteado.

Ficaria apenas o sócio Mario Junqueira. Marcos também não entraria no Conselho de Administração da nova SAF do Vasco, que teria ao menos um membro do clube associativo. Não está claro se o investidor terá que aprovar esse nome. O presidente Pedrinho, por sua vez, está cotado para assumir como futuro CEO, e Felipe Maestro seguiria diretor técnico. O mandatário, porém, é visto como nome ideal do investidor para uma reeleição e não confirma o interesse de assumir função na SAF.


Na prática, agora, o Vasco terá o seu próprio avião cedido pela ‘Tia Leila’, como está sendo carinhosamente chamada nas arquibancadas da Colina.

A participação de Leila Pereira, neste momento, se resume a emprestar seu avião para uso do time do Vasco. No negócio propriamente dito, há outros atores envolvidos. Marcos Lamacchia é atualmente assessorado pelo advogado André Sica, do Palmeiras, e o Vasco pela Alvarez & Marsal, consultoria que entrou no clube e ganhou força com os atuais diretor-geral e diretor financeiro, Fred Luz e Gabriel Souza. Ambos também são próximos dos Lamacchia. Outros atores saíram de cena.

A G5 Partners, advisor financeiro, foi afastada. Ela era a especialista em estruturar operações de compra e venda de grandes companhias, neste caso representando o vendedor, o Vasco. A empresa americana 777 Partners, por sua vez, fez acordo na Justiça e encerrou o processo em que tentava reassumir o controle da SAF e receber a sua parte das ações. Agora, o caminho está totalmente livre para Lamacchia.

A venda de 90% das ações do clube encerra de uma vez a fracassada operação da antiga dona. Com isso, o novo investidor vai poder administrar o clube com o presidente Pedrinho, que assumiu o controle da SAF em 2024, via liminar. O ex-jogador precisou retomar o posto na Justiça este ano após nova liminar da 777 que o tirou do poder por alguns dias e levou à nomeação de interventores. Em meio a essa disputa jurídica, havia também uma disputa política, com a saída de vice-presidentes descontentes com a forma com que a negociação com o futuro novo dono aconteceu.


Os novos donos do Vasco, vestidos com o uniforme número 1

Operação ficou sob risco

Houve críticas sobre a saída da G5 e a forma como a proposta foi negociada diretamente pela cúpula vascaína junto aos Lamacchia. A partir daí, Pedrinho passou a se colocar como vítima de ataques dos dissidentes. Até ameaça real de morte, Pedrinho sofreu durante todo esse processo.

Esse cenário político deve aparecer mais quando a proposta de compra for finalmente levada ao Conselho Deliberativo e à Assembleia Geral do Vasco, o que ainda não ocorreu. A diretoria promete dar transparência ao acordo assim que for aprovado, com detalhes sobre o futuro do clube associativo e do estádio de São Januário.

A operação quase não aconteceu. José Lamacchia só voltou a carga após o clube entrar em recuperação judicial, em 2025. Primeiro, a Alvarez & Marsal constatou o estado financeiro crítico do Vasco, ainda em 2024, após Pedrinho ganhar a eleição. Depois houve uma mediação na Justiça para enxugar dívidas e penhoras.


A torcida está muito eufórica com a venda do Vasco

O presidente Pedrinho não queria vender a qualquer preço e também titubeou. Mas havia um horizonte de melhorias após o afastamento da 777 Partners, com pagamentos em dia e reorganização de despesas, que permitiriam um novo salto após a venda de Rayan.

O clube segurou a saída em 2025, mas em 2026 o jogador não quis mais esperar e o Vasco o negociou por mais de R$ 200 milhões para o Bournemouth, da Inglaterra. O dinheiro, que salvaria o ano, foi gasto em contratações. E a diretoria, que já tinha um acordo para a venda, acelerou oe processo com o argumento de que o clube não sobreviveria com as contas em dia caso não captasse mais empréstimos através do processo de recuperação judicial. Primeiro, a Almirante Participações emprestou R$ 80 milhões em outubro de 2025, com a justificativa de o Vasco não vender Rayan. Em julho de 2026, mais R$ 40 milhões. E antes do leilão, mais R$ 150 milhões para mais reforços.

O modelo não é novo. Em 2022, na gestão de Jorge Salgado, um dos piores presidentes do Vasco, hoje ameaçado de expulsão no Vasco, o clube captou sem anuência de diversos conselhos, R$ 30 milhões como empréstimo-ponte com a 777, mas ainda não estava em recuperação judicial.

A operação só foi adiante mediante aprovação no Conselho Deliberativo. Em seguida, foi feita a venda da SAF na Assembleia Geral, à época por R$ 700 milhões, com acompanhamento da consultoria KPMG. Sob risco de novos aportes não serem feitos pela 777, Pedrinho foi à Justiça e tomou as rédeas do Vasco, e agora o repassa a um novo dono, com a sensação nos bastidores de que o dever foi cumprido.

Edição | Léo Vilhena


O amor do ex-jogador e atual presidente Pedrinho pelo Vasco, foi fundamental para a venda e reestruturação do clube